quinta-feira, 27 de outubro de 2011

CAPÍTULO 1: ''Assopre as Velas'' PREVIEW ESPECIAL!

A ansiedade de algumas pessoas - incluindo também a minha - fez com que hoje eu adiantasse um pouco as coisas... Com exclusividade, revelo um pouco do primeiro capítulo de ''DIVINO'': Assopre as Velas!
Estejam à vontade para opiniar, criticar, o que vier até a mente de vocês e, antes que eu esqueça, muitíssimo obrigado por todos os comentários no prólogo ♥
Aproveitem, e agora é esperar até o dia 11†11†11





Um sonho longínquo...

            O crucifixo prateado caía sobre um copo esguio de vidro límpido, tinindo o eco metálico da prata fundindo-se ao cristal. Havia um líquido de vermelho rubro transbordando pela superfície do recipiente deixado de forma proposital no centro da mesa de vidro-fumê. Conforme a pequena cruz irrompia no suco escarlate, a substância borbulhava freneticamente, criando um volume anormal no copo e exibindo o líquido que escorria como lágrimas de sangue na mesa de jantar.
            As luzes vibravam no teto cor de creme, intercalando-se entre as sombras, focando no enigmático ser aconchegado em uma exuberante cadeira de carvalho na extremidade da mesa. Aparentemente, a figura tenebrosa não estava às sós, pois um curioso corpo encontrava-se estirado logo abaixo de seus pés, debatendo contra o chão coberto por um tapete persa áspero e com cheiro de enxofre. Suas vértebras saltavam, as veias latejavam de forma que o som emitido era ricocheteado pelo ar, chegando claramente aos ouvidos perspicazes do homem soberano que se sentava à mesa.
            Gotículas de sangue saíam do esguio copo de cristal, dançando pelo vidro escurecido da mesa retangular, esgueirando-se nas beiradas desenhando linhas curvas e sutis que caíam em cachoeiras de prantos saudosos provindos das trevas. Os orvalhos escarlates pingavam aos poucos sobre a pele alva e macia do corpo jovem esticado sobre o tapete persa, fazendo com que o garoto sentisse fisgado de queimaduras fortes e ácidas, penetrando no lado mais íntimo da sua alma dolorida.
            O vento sibilante erguia as cortinas que mais pareciam véus de noivas cadáveres, executando uma belíssima coreografia demoníaca juntamente ao luar de diamante que se lançava no ambiente escuro. A melodia da sala não possuía nada além da própria noite como maestrina e da fria neve que escorria na janela como orquestra. Não havia uma sinfonia de alegria, o que se ouvia era apenas o silêncio – e nada pode ser mais medonho do que o som daquilo que não existe.
            No tapete esverdeado, colorido com estampas abstratas, o garoto gemia com as mãos atadas às costas. Seu peito estava nu, branco como a Lua que resplandecia no breu da escuridão, marcado a fogo com uma cruz incandescente que ainda surtia efeitos da brasa sobre sua pele. Os cabelos negros, lisos, caíam nos seus olhos cor de mel, cheirando a queimado. Tentava gritar, mas não era possível, uma vez que seus lábios finos e rosados estavam abafados por uma mordaça de cordas cheias de farpas que lhe causariam cortes profundos.
            Mais gotas caíam na pele do garoto, ele continuava a se debater, mas a figura sentada confortavelmente em seu assento estava a desdenhar daquilo. Era um homem alto, com o rosto omitido por uma máscara veneziana. Ele afundava o crucifixo de prata cada vez mais no líquido sanguíneo, aumentando proporcionalmente o sofrimento do jovem prisioneiro. Aquilo lhe dava prazer. Era possível ver seus dentes afiados mordendo os lábios ao sentir a luxúria, a sede pela carne sendo saciada e o pecado adentrando seu espírito, perambulando nas profundezas do puritanismo que guardava bem lá no fundo do coração que dizia existir dentro de seu peito.
            Um último suspiro de dor, rouco, quase desaparecendo dentro de si, ribombou das cordas vocais do jovem preso cruelmente no chão. As pupilas dele dilataram, a íris amarelada gritou. Batimento cardíaco acelerado, veias dissipadas ao meio e a mente sendo rasgada em conjunto com sua alma. Pela última vez, a cruz marcada no peito virgem e branco do garoto pareceu brilhar. O berro aterrorizante ecoou na cerimônia infernal, fazendo suas memórias voltarem, sua cabeça se estabilizar...

... Até ele voltar para a realidade.

Um mundo verdadeiro...

Ariel Middletown deu um salto à frente na cama. Transpirava exageradamente, manchando a blusa verde musgo que vestia para dormir. Os lábios rachados sangravam suplicando por água, seu coração queria saltar pela boca e nunca mais voltar para o local de onde nasceu. O som da chuva que rebatia as gotas no vidro da janela o acalmou, fazendo-o perceber que estava a salvo e livre de qualquer perigo.
Respirou, aliviado, agarrando a garrafinha d’água ainda cheia ao lado da cama, logo em cima do criado-mudo. Virou a abençoada água gelada e pura numa fração de segundo, sentindo-a percorrer todo o caminho da garganta até o ventre, quebrando o silêncio tenebroso de mais uma noite mal dormida.
Aquela era a terceira vez que vivenciava o estranho ritual no mundo paralelo de seus sonhos ilusórios. Sempre no mesmo horário, no mesmo lugar, após vivenciar sempre os mesmos dias monótonos.
- Volte a dormir Ariel, volte a dormir – disse para sua própria pessoa ao tornar a afundar sua cabeça no travesseiro fofo de penas de ganso.
Ele deveria aproveitar bem enquanto os sonhos permaneciam em sua mente, pois, mais tarde, descobriria que aquelas noites de sono mal dormidas eram as melhores noites de sono de sua vida...

PREVIEW ESPECIAL DIVINO:
CAPÍTULO I ''A VÉSPERA''
O capítulo completo: 11†11†11
Delson G. S Neto



5 comentários:

  1. Não gostei... Eu A-M-E-I! Poxa! Só elogios, sem criticas! Você escreve incrivelmente bem e essa historia já me conquistou! To querendo mais e mais sabia?! Quero mto saber qm é o cara malvado e.e rs o Ariel é tão lindo *-* parei :x não sei oq vai acontecer, mas pelo q já li eu desejo boa sorte pra ele. Ariel Middletwon <3 emocionante o preview!

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  2. amei, quero ler tudo logo ):

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  3. gostei bastante :) você tem um jeito de descrever que faz as palavras sairem saboreadas, sabe? torna a leitura deliciosa :)
    só acho que pode moderar um pouquinho nos adjetivos. os primeiros parágrafos são tão.. "adjetivados" que chega a enjoar. descrição tem limite pra não parecer enrolation ;)

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  4. Suuuper obrigado pelo conselho! Prometo segui-lo! Inclusive, não sei porque fiz tanto enrolation, acho que quis botar suspense demais e acabei estragando um pouco haha MAS MUUUITO OBRIGADO!

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