sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Descobrindo "DIVINO" Parte 1: A Sheffield de Ariel

Olá, leitores! Tudo bem com vocês?

Antes de qualquer coisa, devo agradecer a todos que estão se dedicando ao projeto e lendo carinhosamente tudo que é postado - isso é MUITO importante para um escritor. A opinião do público reflete a minha arte, logo sei que posso seguir em frente sem riscos de tropeçar!

Como ainda faltam alguns dias para o primeiro capítulo de DIVINO (que você já pode ler um preview do primeiro capítulo logo abaixo) decidi fazer um especial para que todos possam, digamos, ''se enturmar'' com a narrativa. O especial terá 3 partes, seguindo com lançamentos até o dia 11†11†11! Vocês estão prontos para embarcar no mundo de Ariel? o/

 Descobrindo "DIVINO" Parte 1



A trama de DIVINO se passa na Europa, como deve ser de conhecimento de todos, indo além da Inglaterra, incluindo Paris, Itália entre outros que irão se desenvolver conforme o caminhar da história. Porém, tudo tem início na sexta cidade mais populosa da Inglaterra, Sheffield, localizada no condado de South Yorshire.


Sheffield é uma das cidades mais antigas da Inglaterra, fundada na era do bronze, há muitos e muitos anos atrás. Por possuir excelência em produção de facas e determinados tipos de armamentos em fábricas, esta também se tornou um dos principais berços da Revolução Industrial no século XVIII.


Além de todo este processo histórico, Sheffield é dona de uma magnífica paisagem arborizada - possui 150 bosques e 50 parques públicos! É considerada a cidada mais verde da Inglaterra. Duas das principais atrações ''naturais'' são: o Botanical Garden of Sheffield & o Winter Gardens. Lugares apropriados para todo cidadão de Sheffield passear, nos dias em que resquícios de Sol surgem no céu - pois o clima da cidade normalmente é rodeado por chuvas.

Botanical Garden of Sheffield

Winter Gardens

  
 Winter Gardens (interno)
Sheffield também é reconhecida por ser um berço cultural na Inglaterra, possuindo diversos teatros, incluindo um dos mais famosos na Europa, o Lyceum Theatre.

Lyceum Theatre

Aprofundando-se mais no contexto de DIVINO, é hora de apresentar alguns dos lugares que Ariel passará mais tempo dentro de sua cidade natal. Primeiramente, veremos a Sheffield Cathedral Church.


 Sheffield Cathedral (imagem: Google Maps Street View)

A Sheffield Cathedral, ou também, como conhecida, Cathedral of St. Peter & St.Paul, é listada como um dos principais edifícios arquitetônicos da cidade. Antes era uma simples igreja, porém, ascendeu ao status de Catedral apenas em 1914. Possui um vasto espaço, incluindo capelas ao fundo e um fachada que provém do gótico, unido a elementos renascentistas. Encontra-se na Church Street, constrastando com o cenário moderno da cidade, onde um trem (principal meio de transporte em Sheffield) passa logo a frente da Catedral. Atualmente, desenvolve-se um projeto para transformar partes internas da igreja, deixando-a mais atrativa e com um ambiente mais iluminado.
Ariel passará certo tempo indo à cerimônias, missas entre outros eventos da Catedral, pois a mesma fica bem próxima de sua casa e do lar de sua melhor amiga, Angelina Matthews. O padre e os outros fiéis que ali se dedicam inteiramente a Deus, possuem certo carinho pelo garoto, entretando, tentam o manter o mais longe possível dos arredores da Catedral...

 Meadowhall Center

O Meawdowhall Center também deve ser citado, logicamente, pois Ariel e Angel passarão bons dias no maior shopping center de Sheffield. Este possui mais de 220 lojas dos mais variados tipos, proporcionando momentos longos de descontração para os dois amigos - o que é extremamente necessário, tendo em vista tudo que irão passar dentro de alguns dias.

 
 Notre Dame High School

A Notre Dame High School é uma das escolas mais tradicionais e antigas de Sheffield, é aqui o local de aprendizado de Ariel. O pai do garoto fora um exímio aluno da Notre Dame, deixando um legado significativo para seu filho, o que facilitou para Valentina Middletown, mãe de Ariel, colocá-lo em uma das melhores instituições de ensino inglesa. A escola já fora extremamente rígida, herdando as características das irmãs Notre Dame, fundadoras do colégio. Algumas vezes, os coordenadores ainda são pegos dando broncas em meninas por usarem brincos e outros acessório ligeiramente proibidos.
 Hawley Street

A Hawley Street é a rua onde Ariel e sua família vivem. Logo após a St. James Row, que fica bem próxima da Sheffield Cathedral, a Hawley Street é pouco extensa, seguida de um amontoado de predinhos de tijolo que se prolongam até o cruzamento com a rua debaixo. A família Middletown vive em um destes prédios, no terceiro e último andar, simpatizando sempre com os vizinhos dos outors andares, que acabaram se tornando os melhores amigos da família. No térreo, vive a senhora Adelaide Winters, americana que decidiu procurar paz e sossego em Sheffield após anos conturbados em sua gloriosa carreira como cantora de Jazz. Já no andar do meio, vive uma outra mulher com sua filha, ela se chama Sophie e sua primogênita Amábile, possui mistério em sua história, mas sempre está disposta a ajudar a família Middletown.

 Paradise Square

Por último, e não menos importante, Paradise Square é um conjunto de prédios e pequenos comércios em Sheffield, também é o lar da família Matthews, logo de Angelina, melhor amiga de Ariel. O garoto costuma frequentar Paradise Square todo fim de tarde, quando sua mãe volta do trabalho, indo encontrar a amiga para conversarem noite adentro. Os prédios ficam algumas quadras atrás da Sheffield Cathedral, o que possibilita Ariel e Angel de entrarem nas capelas na madrugada para descontrairem suas vidas usualmente monótonas, mas que estão muito perto de mudar drasticamente.



Na próxima semana, a Parte II de ''DESCOBRINDO DIVINO''! Com exclusiva apresentação de alguns personagens (:

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

CAPÍTULO 1: ''Assopre as Velas'' PREVIEW ESPECIAL!

A ansiedade de algumas pessoas - incluindo também a minha - fez com que hoje eu adiantasse um pouco as coisas... Com exclusividade, revelo um pouco do primeiro capítulo de ''DIVINO'': Assopre as Velas!
Estejam à vontade para opiniar, criticar, o que vier até a mente de vocês e, antes que eu esqueça, muitíssimo obrigado por todos os comentários no prólogo ♥
Aproveitem, e agora é esperar até o dia 11†11†11





Um sonho longínquo...

            O crucifixo prateado caía sobre um copo esguio de vidro límpido, tinindo o eco metálico da prata fundindo-se ao cristal. Havia um líquido de vermelho rubro transbordando pela superfície do recipiente deixado de forma proposital no centro da mesa de vidro-fumê. Conforme a pequena cruz irrompia no suco escarlate, a substância borbulhava freneticamente, criando um volume anormal no copo e exibindo o líquido que escorria como lágrimas de sangue na mesa de jantar.
            As luzes vibravam no teto cor de creme, intercalando-se entre as sombras, focando no enigmático ser aconchegado em uma exuberante cadeira de carvalho na extremidade da mesa. Aparentemente, a figura tenebrosa não estava às sós, pois um curioso corpo encontrava-se estirado logo abaixo de seus pés, debatendo contra o chão coberto por um tapete persa áspero e com cheiro de enxofre. Suas vértebras saltavam, as veias latejavam de forma que o som emitido era ricocheteado pelo ar, chegando claramente aos ouvidos perspicazes do homem soberano que se sentava à mesa.
            Gotículas de sangue saíam do esguio copo de cristal, dançando pelo vidro escurecido da mesa retangular, esgueirando-se nas beiradas desenhando linhas curvas e sutis que caíam em cachoeiras de prantos saudosos provindos das trevas. Os orvalhos escarlates pingavam aos poucos sobre a pele alva e macia do corpo jovem esticado sobre o tapete persa, fazendo com que o garoto sentisse fisgado de queimaduras fortes e ácidas, penetrando no lado mais íntimo da sua alma dolorida.
            O vento sibilante erguia as cortinas que mais pareciam véus de noivas cadáveres, executando uma belíssima coreografia demoníaca juntamente ao luar de diamante que se lançava no ambiente escuro. A melodia da sala não possuía nada além da própria noite como maestrina e da fria neve que escorria na janela como orquestra. Não havia uma sinfonia de alegria, o que se ouvia era apenas o silêncio – e nada pode ser mais medonho do que o som daquilo que não existe.
            No tapete esverdeado, colorido com estampas abstratas, o garoto gemia com as mãos atadas às costas. Seu peito estava nu, branco como a Lua que resplandecia no breu da escuridão, marcado a fogo com uma cruz incandescente que ainda surtia efeitos da brasa sobre sua pele. Os cabelos negros, lisos, caíam nos seus olhos cor de mel, cheirando a queimado. Tentava gritar, mas não era possível, uma vez que seus lábios finos e rosados estavam abafados por uma mordaça de cordas cheias de farpas que lhe causariam cortes profundos.
            Mais gotas caíam na pele do garoto, ele continuava a se debater, mas a figura sentada confortavelmente em seu assento estava a desdenhar daquilo. Era um homem alto, com o rosto omitido por uma máscara veneziana. Ele afundava o crucifixo de prata cada vez mais no líquido sanguíneo, aumentando proporcionalmente o sofrimento do jovem prisioneiro. Aquilo lhe dava prazer. Era possível ver seus dentes afiados mordendo os lábios ao sentir a luxúria, a sede pela carne sendo saciada e o pecado adentrando seu espírito, perambulando nas profundezas do puritanismo que guardava bem lá no fundo do coração que dizia existir dentro de seu peito.
            Um último suspiro de dor, rouco, quase desaparecendo dentro de si, ribombou das cordas vocais do jovem preso cruelmente no chão. As pupilas dele dilataram, a íris amarelada gritou. Batimento cardíaco acelerado, veias dissipadas ao meio e a mente sendo rasgada em conjunto com sua alma. Pela última vez, a cruz marcada no peito virgem e branco do garoto pareceu brilhar. O berro aterrorizante ecoou na cerimônia infernal, fazendo suas memórias voltarem, sua cabeça se estabilizar...

... Até ele voltar para a realidade.

Um mundo verdadeiro...

Ariel Middletown deu um salto à frente na cama. Transpirava exageradamente, manchando a blusa verde musgo que vestia para dormir. Os lábios rachados sangravam suplicando por água, seu coração queria saltar pela boca e nunca mais voltar para o local de onde nasceu. O som da chuva que rebatia as gotas no vidro da janela o acalmou, fazendo-o perceber que estava a salvo e livre de qualquer perigo.
Respirou, aliviado, agarrando a garrafinha d’água ainda cheia ao lado da cama, logo em cima do criado-mudo. Virou a abençoada água gelada e pura numa fração de segundo, sentindo-a percorrer todo o caminho da garganta até o ventre, quebrando o silêncio tenebroso de mais uma noite mal dormida.
Aquela era a terceira vez que vivenciava o estranho ritual no mundo paralelo de seus sonhos ilusórios. Sempre no mesmo horário, no mesmo lugar, após vivenciar sempre os mesmos dias monótonos.
- Volte a dormir Ariel, volte a dormir – disse para sua própria pessoa ao tornar a afundar sua cabeça no travesseiro fofo de penas de ganso.
Ele deveria aproveitar bem enquanto os sonhos permaneciam em sua mente, pois, mais tarde, descobriria que aquelas noites de sono mal dormidas eram as melhores noites de sono de sua vida...

PREVIEW ESPECIAL DIVINO:
CAPÍTULO I ''A VÉSPERA''
O capítulo completo: 11†11†11
Delson G. S Neto



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

PRÓLOGO





Os relâmpagos resplandeciam sobre o céu fantasmagórico parisiense. O brilho de azul intenso ultrapassava a majestosa rosácea superior da Catedral de Notre Dame, intercalando-se com as sombras obscuras que se alastravam no interior da santificada igreja símbolo da França. O vento sibilava uivando em frente ao Portal do Julgamento, rebatendo a porta de madeira maciça com força. As gárgulas no alto das torres gêmeas escoavam a água que caía deliberadamente sobre o imensurável vitral, enquanto isso, a estátua de Virgem Maria com o Menino no colo parecia chorar. Dois anjos esculpidos a cercavam, mas não pareciam surtir honestidade com seus sorrisos já gastos entre os séculos.
Na torre sul do portal ocidental de Notre Dame, o sino Emmanuel parecia surtir sua música com calma, porém, não havia data especial ou alguém para que o instrumento de treze toneladas começasse a tocar. Era como se o antigo Emmanuel já tivesse criado vida própria, podendo manifestar seus sentimentos durante a fria e solitária noite da Praça Parvis.
Os mais atentos conseguiram captar a música sutil provinda do legendário órgão localizado em frente à rosácea ocidental. Tal fato era místico, talvez um tanto fantasmagórico, levando em consideração que já passava das três da madrugada naquele período sórdido de tempestade. O luar compunha juntamente à melodia gótica que saía dos trinta e dois tubos que montavam o incrível órgão, penetrando sua benevolência pelo manto sagrado do vitral de cores incandescentes.
Além do Portal do Julgamento, caminhando em direção ao magnífico altar de Notre Dame, estava um garoto de pele impecável e olhos cor de mel. Seus cabelos negros caíam-lhe sobre as pálpebras, molhados, testando sua paciência conforme seus batimentos cardíacos agoniados aceleravam dentro de sua caixa torácica. Ele mexia nos fios capilares que o atrapalhavam constantemente, sendo possível observar a luva preta de couro que cobria a mão direita. Vestia uma jaqueta preta, junto a uma camisa branca de aparência suja e rasgada; nos pés um tênis de cor neutra que harmonizava com a calça de mesma cor da jaqueta de couro. A face, mesmo que desprovida de qualquer acne típica da adolescência, possuía sangue escorrendo de um profundo corte recente logo abaixo do olho direito, ele cambaleava para seguir seu caminho até o altar, sentindo a dor dilatando suas entranhas.
Acima do jovem menino, as abóbodas com arcos ogivais em tramo j russo escureciam o recinto, possuindo apenas mínimos lances de luz refletidos pelos lóbulos e vitrais encaixados nas paredes antigas. Nas laterais do extenso piso de cor indefinida durante a penumbra, fileiras de assentos de madeira polida estendiam-se até a fachada do altar principal de Notre Dame. Do meio da Catedral, o garoto conseguia avistar uma figura indistinguível de gênero próximo a enorme cruz sobre o local de cerimônias.
A sagrada cruz de cor de ouro nobre flamejava em cima do altar. Focos de luz provindos de poucos candelabros acesos deixavam a beleza da estátua logo à frente da cruz a vista, possibilitando que os detalhes fossem observados com certa clareza. A cor de marfim das figuras era tão alva quanto à lua, enriquecendo a genuinidade da peça esculpida com perfeição. A escultura era uma monumental mulher de mãos abertas, com uma expressão regozijo, aparentando dar as boas vindas àqueles que entravam em seu lar.  Alguns querubins pareciam estar ao seu lado, tal como outros arcanjos espalhados pelo mesmo ambiente. Logo abaixo da figura feminina de aspecto beatificado, estava uma enorme arca que a sustentava, com adornos e desenhos entalhados no dourado e marfim, iluminado por três ou quatro velas acesas. Alguns degraus elevavam-se a frente junto a uma coroa de flores que parecia perder vida ao manter contato com o misterioso ser humano que estava disposto em pé bem próximo à cruz.
Os três vitrais na nave do altar soltavam faíscas de brilhos intensos vindos dos relâmpagos, os trovões por sua vez eram ouvidos nitidamente e ecoavam no imenso saguão da Catedral. A luz vinda das três pequenas rosáceas deixava em foco a criatura de estatura mediana que pairava próximo à santa cruz. Podia-se reparar que era um ser masculino, devido aos ombros um tanto mais largos, tal como em razão de suas mãos maiores e fortes. Não era possível distinguir sua idade, muito menos origem ou credo, vestia uma máscara de cor preta com fechos prateados e amarelo-queimados. Nos orifícios dos olhos, o disfarce no rosto possuía pequenas cordinhas velhas que impediam notar a cor da íris do menino. As vestes longas, provavelmente larapiadas de um sedentário beato de Notre Dame, enrolavam-se em camadas de branco e vermelho, acompanhando a coloração dos cabelos ruivos e arrepiados do misterioso ser que aguardava algo grandioso no altar.
Ele fitava o garoto de cabelos pretos que vinha em sua direção com desdém. Um pequeno sorriso esboçou na sua face omitida pela sinuosa máscara veneziana. A sua vítima vinha aos tropeços, ele parecia estar debilitado, o que dava prazer explícito ao jovem de vestes papais.
Sete trovões em sequência deram seus estrondos sobre as abóbodas de Notre Dame, como se exultassem os sete pecados capitais. As heresias e profanações, mesmo distantes de um local tão abençoado e mirado por Deus, pareciam de fato estarem presentes naquela noite de tanto horror. Algo muito ruim estava prestes a acontecer, ao menos, era o que anunciava o sino Emmanuel que naquele momento provocava a fúria nos céus de Paris.
A figura mascarada deslizou sua mão com delicadeza sobre um cálice de vinho que deixara de lado sobre a arca que sustentava a estátua de Nossa Senhora. Erguendo a bebida em reverência ao garoto que subia os pequenos degraus, soltou de seus lábios palavras de compaixão com tons negros de um sublime pecador:
- Ao Iniciado! – bradou – Bienvenue Saint de La lumière.
O garoto de cabelos negros segurou suas mãos vestidas de luvas de couro com força. Sua vontade era voar na direção daquela face omitida, socando-o até a morte deixando o sangue fétido daquela criatura escorrer sobre o altar de Notre Dame, porém, seus conceitos falavam mais alto, ele não poderia deixar tudo para trás naquele momento, mesmo que as circunstâncias pedissem...
- Você está sozinho, L’ira ? – indagou o garoto de cabelos negros com ódio e repugnância.
O mascarado riu para o alto, ecoando sua risada maléfica junto ao som metálico de Emmanuel no alto da Catedral:
- Obviamente, mon chéri. Exatamente como tratamos, estou sozinho – ele virou o cálice de vinho sobre seus lábios secos – Ótima safra! Os franceses realmente sabem o que é bom em La vie, não é verdade?
- L’ira, não me interessa a safra, a qualidade, ou qualquer merda provinda de sua boca. Você não sabe pelo o que eu tive de passar para chegar até aqui, para exercer minha tarefa e partir disso tudo de uma vez só...
-Calma, meu caro, calma! Vou lhe entregar o prometido, assim que você cumprir a sua promessa. O Consiglio dei beati aprovou a liberação do seu pedido, ela já está aqui...
Com a entonação de sua voz dez vezes mais grossa, o jovem de cabelos negros exaltou sua fúria:
- Mostre-a agora! Onde ela está?! Só cumprirei a promessa se ela estiver aqui, somente!
Dando um levíssimo estalar de dedos, o homem mascarado fez algo irromper das tripas da escuridão da abóboda celeste do ábside. Amarrado fortemente em uma corda de farpas lineares, o corpo de uma garota desceu preso pelos seus pulsos frágeis e sensíveis. Ela estava nua, com os seios não tão fartos a mostra, a aureola das mamas era de um rosa frágil e inocente, tão puro quantos os anjos do Senhor. Seu tom de pele alvo destacava o cabelo liso, sedoso, de cor vermelho rubí flamejante, que descia do seu coro cabeludo até o ventre ainda singelo.
Ela adormecia com uma máscara de gás cobrindo-lhe a boca e o nariz, deixando apenas os olhos curvelíneos e fechados a mostra. O garoto deixou lágrimas percorrerem sua face ao observar a bela garota naquele estado de tortura.
- Angel... – sussurrou remoendo a tristeza amarga.
            - Contente, meu caro? – perguntou o homem mascarado – Hora de começar o show e irmos ao que interessa. Ansioso?
            O ser de tons e aspectos malévolos caminhou até a parte omitida da cruz dourada do exuberante altar. Com as duas mãos, pressionou a linha retilínea do objeto para baixo, com força, fazendo o piso tremer por alguns instantes. A estátua de Nossa Senhora continuou intacta, vibrando apenas com o leve tremor. A arca dourada se moveu para o lado, pesada, dando lugar a uma maca coberta por um finíssimo lençol branco. Pelo que aparentava, havia um corpo deitado sobre a cama de ferro.
            O coração do garoto disparou ao ver aquele acontecimento diante de seus olhos. Havia um corpo ali, que ele sabia perfeitamente a quem havia pertencido – pois sua alma já havia migrado há milênios de seu portador. Era uma tarefa arriscada, mas somente a realização desta salvaria o amor de sua vida, e nada jamais no mundo poderia impedir a ascensão do amor.
            Ele retirou as luvas molhadas, atacando-as nos candelabros, deixando que o couro corroído queimasse. O sangue congelou, as células pareciam mortas conforme suas mãos tremeluziam. Coração palpitante, cérebro pulsante. O suor frio provindo das profundezas de sua alma escorreu pelo pescoço, deixando-o cada vez mais agoniado. O homem mascarado puxou o lençol que cobria o corpo falecido, o garoto de cabelos pretos fechou os olhos cor de mel sentindo a aflição o atingindo. Suas mãos caminharam deliberadamente em direção ao morto pálido e esquelético...
            O Portal do Julgamento fez um estrondo junto ao relâmpago que rachou o céu de Paris. Notre Dame emergiu junto às sombras, vociferando em fúria com a incondulência exercida naquele instante:
            - HERESIA! – gritou uma multidão do lado de fora da Catedral, vários homens haviam arrombado a porta maciça, apontando com crucifixos em direção ao garoto que tremia sobre o altar.
            - O ATO DIVINO! HERESIA! O CORPO DO VERDADEIRO INICIADO! HERESIA!
            O garoto sentiu a morte o observando de longe, seu último pensamento nem sequer parecia ter existido. Em fração de segundos, a única coisa que pode ouvir, fora a música provinda de Emmanuel.

FIM DO PRÓLOGO
 DIVINO
DELSON G. S NETO 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011


Confrantando os limites da fé e da ciência, ''DIVINO'' narra a história de Ariel Middletown, um garoto inglês de 17 anos, que descobre na noite do seu aniversário que possui um dom santificado - o de ressucitar seres já desprovidos de vida. Para ele, uma surpresa, mas para o mundo era um terrível acontecimento que desencadearia no fim dos tempos. Apesar de Ariel manter sigilo sobre o seu poder de proporções magníficas, o que ele menos desconfia é que todos a sua volta possuem conhecimento disso desde o dia em que nasceu. Não somente sua mãe, como a própria Igreja Católica. Em um mundo onde a fé está fadada a ser crucificada e onde sociedades secretas jamais vistas estão prestes a ressurgir, Ariel tem de correr contra o tempo para salvar a sua própria pele e fugir das garras daqueles que necessitam de seu poder. O Juízo-Final e o Ato Divino estão prestes a queimar no horizonte do paraíso.




O prólogo será lançado nesta quinta-feira (20) e o primeiro capítulo no dia 11/11/11. Muitas perguntas pelo caminho, porém, todas serão respondidas na saga de Ariel em ''Divino''!